Do lugar de onde vim

Do lugar de onde vim, o tempo afastou-me da morte  
No passado, não posso morrer.
Os que ficaram e nunca me sentiram
Podem pensar o infinito sobre quem fui e aquilo que dei
Ainda que presos à dúvida se terei mesmo existido
E se a memória que de mim guardam é real.

Calmaria

Dos teus brilhos, caminho meu
Podia dizer, se o sentisse
Que são jardins feitos de sol
Ou ondas em verde manto que o vento afaga
Podia perder-me, se quisesse
Nas formas distantes do tempo
E dar-me todo, tempestade

Mas os teus brilhos, olhos meus
São causas e efeitos, são calmaria
Por eles o tempo pára, eu bem sabia
São a pedra onde me sento
E turbilhão, sou tudo o que me devo

É nos teus brilhos que me perco
No simples olhar para uma flor
E não desejo, sequer procuro outro caminho
Deixo-me estar assim quieto
Até que a flor seja caminho e seja brilho
Até que seja, por fim, beleza
E inteira, tome conta da paisagem
E tome a paisagem, conta de mim.