Morrem no peito Legiões

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No ciclo eterno das estações, em cada nova reunião
A percepção exacta da palavra, do gesto
Como prolongamento, como extensão da âncora

Fundeada no longínquo mar dos meus ancestrais.

A nítida dimensão onde adormecem os sentidos
A claridade dos dias, a luminosidade das noites
Confinadas aos cantos desta dor

Em demorados rituais, em prolongadas penitências.
À luz de outras existências, noutras sangrentas arenas
Tolhidos movimentos, envoltos, por lúgubre manto
Qual pesada lacerna    

Na demanda que cruza este avito tempo 
Desfaço a alma, contorço o corpo
Esfolo dos pés a pele, em passos sem cáliga.
Percorro o vazio da antecâmara até à boca

Revela-se agora um acústico círculo de vozes em coro
Onde se faz murmúrio e do murmúrio a palavra
E da palavra o cântico, rasgado por gritos   

A plena evocação, à alma de todos os corpos
À loucura dos massacres

Ao delírio de todas as dores, num único momento.