A minha casa está vazia

A minha casa está vazia
Paredes brancas, despidas do que não se pode ver
Outrora medo a decorar as salas e os quartos.
A porta, sempre aberta, já não serve o propósito de a ter fechada
Já ninguém entra e sai por ela, seja por mim, ou por alguém
Porque a casa está vazia
Por dentro e por fora, está vazia a minha casa.

Solta-se do tecto uma espécie de humidade em tom de azul
Que empurra o ar, que toca o corpo, que toca o chão, que não toca em nada.
Pela janela, ao fim da tarde, entra uma luz que permeia e aquece o pó dos móveis 
E traz-me, com todo o vagar do mundo, silêncio até à mesa
Onde escrevo, sentado, a noite que há-de vir, também sentar-se a meu lado
E tudo se combina num misto de nada e de paz
Dando-me tempo e espaço
Para conhecer a casa que está vazia.

1 comentário:

Suzete Brainer disse...

Sei que a tua poesia é luminosa,

toca a alma e preenche o

espaço sublime do sentir

mais profundo (etéreo)...

Adorei,Nuno!

Bj.